segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013



O Circolo Italiano"LEONARDO DA VINCI" nesse dia 21 de fevereiro, Dia do Imigrante Italiano no Brasil homenageia as Famílias Italianas Jacareienses descendentes dos imigrantes italianos  que vieram para nossa cidade trazendo sonhos, esperanças, e juntos contribuíram ao desenvolvimento de Jacareí à partir de 1870.

Desejoso de resgatar, reunir, classificar e decodificar informações, dados e simbologias ligadas à Memória dos imigrantes italianos que vieram para Jacarehy e por aqui permaneceram; o Circolo Italiano traçou como meta à partir de 2010 sob a Presidência de Julinho Tosi; a elaboração e realização de um Projeto de Genealogia e Memória que correspondesse ao desejo dos descendentes de italianos de descobrirem suas origens e  verem refletir na Comunidade e Cultura locais, elementos presentes da Cultura Italiana trazida pelos seus familiares, nossos antepassados que se viram obrigados à abandonar a terra Pátria de origem para sobreviverem, e assim se fixaram na cidade de Jacarehy à partir dos Oitocentos (1870); bem como a realização de obra inédita na Cultura local ligada à pesquisa e registro histórico destes dados; imprimindo, ressaltando e perpetuando, nossa identidade cultural fortemente marcada pelos traços e ideais italianos de civilização: a tutela e garantia de Direitos Sociais, igualdade, fraternidade  e a preservação de bens culturais e Memórias!



Depois de viver num cenário dramático de guerra, chegaram aqui os nossos antepassados, e à partir de então fincaram pés firmes na reconquista de espaços adequados para construírem e produzirem tudo o quê eles já sabiam e traziam como alicerce de uma Cultura voltada para as elaborações construtivas político-sociais que propiciaram a criação de tantos centros cooperativos, agremiações, entidades, instituições e sociedades sociais, culturais, religiosas e econômicas. Uma Cultura voltada para a organização de espaços geográficos diversificados para produções rurais de agricultura variada, sistêmica e autônoma bem como a criação e organização de espaços urbanos voltados para o desenvolvimento de economia produtiva artesanal, comercial e pré-industrial com planejamento de meios para escoamento de tráfego e de mercadorias e utilização das fontes hídricas na vida cotidiana.
Todos os itens acima citados, que revelam a cultura italiana sedimentada na identidade cultural dos imigrantes italianos e que impulsionaram o desenvolvimento brasileiro, não foi diferente em Jacarehy!
Conforme pesquisa realizada para elaboração do Inventário dos Sobrenomes Italianos presentes em Jacareí resulta que a imigração italiana em Jacareí se fez presente nos 3 fluxos imigratórios italianos  no Brasil: o 1° à partir de 1870 em função da Unificação Italiana, o 2° à partir de 1914 por ocasião da 1ª Guerra Mundial e o 3° em decorrência da 2ª Guerra Mundial.
Sendo a Itália um país condutor secular de tendências socioeconômicas e políticas, religiosas e culturais; propulsor e responsável por fluxos emigratórios que contribuíram para a definição e fortalecimento do perfil da identidade cultural do povo brasileiro, bem como para implantação de mentalidades e segmentos de atividades determinantes no processo de desenvolvimento do Brasil, torna-se plausível o reconhecimento e revelação de aspectos inerentes à sua História, ao seu meio social, aos seus avanços tecnológicos e científicos, para o aprimoramento na formação intelectual e profissional de cidadãos atuantes no mundo social e econômico do mercado de trabalho brasileiro. Parte desse Patrimônio Cultural é respeitado e admirado pela Humanidade, se faz presente e se reflete nos usos e costumes do cotidiano da vida brasileira, que teve sua brasilidade redefinida a partir do advento da chegada do imigrante italiano que passou a compor o mosaico étnico presente nas cidades brasileiras. Em Jacareí aparece já no ano de 1872 a forte presença do imigrante italiano, com a criação dos primeiros edifícios destinados às atividades residenciais, comerciais e artísticas. Na História de Jacarehy, recém pesquisada e revelada pelo Centro de Estudos de Genealogia do Circolo Italiano, aparecem como obras de imigrantes italianos o desenvolvimento de vários setores da economia local, dada a forte presença de tal etnia após 1870. Como fato histórico revelador de tais ações, temos registrado de resultado de pesquisa historiográfica recente que aponta como obra do imigrante italiano “Pietro Mercadante”, a implantação do 1° Teatro de Jacarehy, administrado pelas filhas do cidadão italiano, que produziam os espetáculos e os comercializavam; foi criado o 1° Cinema mudo, o 1° Parque de Diversões dos "Cavalinhos", o 1° Curtume. Segundo Maria Amélia Mercadante Turci, a família Mercadante realizava obras assistenciais junto ao Colégio Nogueira da Gama, à Santa Casa de Misericórdia de Jacarehy e foi responsável  pela melhoria e desenvolvimento dos atendimentos de saúde realizados na cidade, pois trouxe para a cidade corpo clínico, formado por grandes médicos.
Na entrevista “ Memórias do Casarão Paiva", o Dr. Celso Paiva Ferreira narra a participação de imigrante italiano no desenvolvimento econômico e tecnológico de Jacareí, quando em 1924, seu pai Anibal Paiva juntamente com Nicola Capucci fundam a 1ª Agência FORD de Jacareí,  em frente à Ferrovia e marquise de flores da Praça Conde Frontin, quando ainda existia o Centro Histórico de Jacareí.

Jacarehy, cidade que teve origem recente no processo de ocupação e colonização do território Brasileiro, pelos Portugueses; apresentou desde 1600 sua vocação para território aberto aos desbravadores e novas etnias que exploravam o território dominado em busca de riquezas naturais e minérios. Sendo Jacareí, vilarejo em posição estratégica no eixo Rio - São Paulo, percurso econômico  trafegável intensamente já no Brasil Colônia, sempre se destacou como território receptivo e livre para ocupação demográfica nos diversos períodos de fluxo imigratório.
A presença dos Italianos na cidade de Jacarehy se nota à partir de 1870, decorrente da forte corrente imigratória italiana que se sucedeu aos violentos movimentos em prol da implantação de estratégia geopolítica para Unificação da Itália efetivada em 1861, pois até então o território da Península Itálica era dividido em vários reinos e comandos. Após o Congresso de Viena de 1814, a Itália estava dividida em 7 regiões: O Reino do Piemonte – Sardenha, o Reino Lombardo – Veneziano, o Reino das duas Sicílias, os Estados da Igreja e 3 Ducados.



A História oficial italiana sempre impôs a versão sobre a Unificação da Itália sob o ponto de vista econômico, apontando o Sul da Itália como zona miserável, subdesenvolvida e explorada pelos senhores proprietários de terras e comandantes de reinos; mas nas últimas décadas e em 2011, que a Itália completou 150anos de sua Unificação, estudiosos, Pesquisadores, Historiadores e a população mais idosa que recebeu informações diretas dos cidadãos que viveram naqueles tempos e momento histórico; estão revelando dados sobre a realidade socioeconômica e social dos povos que habitavam o Sul da Itália. Índices e dados que apontam uma economia fraca, deficitária e altamente debitaria do Norte da Itália  invertem e revelam  os reais motivos que pautaram os valores e princípios que conceituaram, e por século e meio pretenderam justificar os terríveis males que se abateram sobre toda a população do Sul da Península Itálica em função do Projeto de Unificação e criação de um Estado único, implementado e prescrito "pelos pensadores da Unificação", conforme literatura revelada pelo jornalista escritor italiano Pino Aprile em seu livro: "Terroni - Tutto quello che è stato fatto perchè gli italiani del Sud diventassero Meridionali" (edizione PIEMME -  junho 2010). 

Nessa nova releitura geopolítico-econômica e histórica da realidade italiana nos Oitocentos, encontramos então nossos antepassados que imigraram para o Brasil, na primeira fase da imigração italiana, com um semblante muito distante e diverso da visão romântica que nos foi mostrada; eles não eram somente camponeses pobres, analfabetos e esfomeados e por isso decidiram  abandonar a própria Pátria e “fare l’merica!” ; mas eles eram sim, na luz das revelações históricas recentes; sobreviventes de uma guerra sanguinária de violências étnicas que visava o cancelamento de uma identidade cultural já muito arraigada e promovida por sistemas político-econômico-sociais que concebiam e acatavam as economias locais e ou regionais, com suas características próprias, permitindo assim que a sociedade apresentasse já naqueles anos iniciais de 1800, um desenvolvimento propício à sua autônoma e própria manutenção; como descreve o escritor Pino Aprile: "...Né sapevo che il Regno delle due Sicilie fosse fino al momento dell'agressione, uno dei più industrializzati del mondo (terzo, dopo Inghilterra e Francia, prima di essere invaso)"

 "Nem sabia que o Reino das duas Sicilias fosse, até o momento da agressão, um dos países mais industrializados do mundo (terceiro, depois da Inglaterra e França, antes de ser invadido)".

As populações do Sul e de zonas até então não comandadas pela poder político do Norte, do Piemonte e "Casa Savoia", tiveram seus direitos violados brutalmente com a guerra de dominação, violências infringidas sobre mulheres e crianças, assassinatos em massa com incêndios planejados estrategicamente ao ponto de cancelar cidades inteiras, "...i Fratelli d'Italia (os irmãos da Italia) saquearam bancos, museus, casas privadas, para pagar os débitos do Piemonte e constituírem patrimônios privados..."; conforme narra a bibliografia consultada.

A releitura Histórica então, nos coloca à frente de uma guerra que marcou profundamente os nossos antepassados que aqui chegaram, eles traziam também as marcas de um povo oprimido e uma guerra que havia lhes roubado tudo: terras, casas, bens acumulados e bens de produção diária, e até mesmo a própria Língua, porque durante a guerra de unificação, os soldados do Norte falavam o dialeto Piemontês e a zona dominada do Sul e outras zonas escolhidas para serem saqueadas e invadidas, falavam cada qual o seu próprio dialeto e isto, era já motivo para morrer, o fato de não entender o dialeto do invasor.


Á partir da chegada do imigrante italiano diversos setores da vida econômica e social se desenvolveram, após 1875 e início de 1900, a economia local se diversificou, no centro da cidade estavam já os italianos produzindo  pães e massas, doces e bebidas várias, abrindo comércios de produtos variados até então desconhecidos, que outros italianos traziam do Mercadão de São Paulo, as atividades comerciais e artesanais dos italianos começam a florescer; alfaiates, sapateiros, sorveteiros, carvoeiros, músicos, médicos, professores, artistas, agricultores, advogados, empresários começam à nascer em Jacareí; as ações dos imigrantes italianos se estendem às várias zonas da cidade.
Um exemplo desta ocupação é a Várzea do Rio Paraíba, que  havia sido selecionada para desenvolver a agricultura, sua vocação natural no sistema produtivo  e os italianos provenientes das Regiões do Veneto e Emilia-Romagna, Norte da Itália são os precursores em nossa cidade na plantação de arroz, que até então não tinha sido cultivado por falta de conhecimento para tal plantio;  para isso passam a chegar em Jacareí as famílias italianas de Quiririm: CORBANI, INDIANI,BARBIERI, BAGATTINI, BRUNI, LIPPI, VALERIO, BASSI, BILLA, SOLDI, PELOGGIA , MIOTTO, MARSON, TURCI e outras.
Outro exemplo de ocupação de espaços que foram urbanizados pelos italianos, é o Bairro do São João, por esse bairro passava a principal estrada do Brasil, a "Estrada velha Rio - São Paulo"; os italianos com melhores condições financeiras e destinados à atividades urbanas povoaram o centro da cidade, outros se instalaram nos arredores e  margens da Estrada Velha, atual Av. Santa Helena e Av. São João e ali criaram carvoarias e postos de trocas e armazenamento de mercadorias que traziam de São Paulo. Assim, à partir de 1920, o Bairro do São João se torna o bairro mais italiano da cidade com a presença produtiva das famílias VERDELLI, ALBERIGI, PIERONI, PAPERA, DUANETTO, PIAGENTINI e outras.



Nosso córrego mais famoso, o TURI faz uma alusão à um nome italiano: é o diminutivo do nome SALVATORE = SALVATURI, em Siciliano.
Ressaltamos também que a imigração italiana nos presenteou nosso o 1° Historiador de nossa cidade, o Professor, Prefeito duas vezes, Advogado BENEDITO SERGIO LENCIONI, a quem fazemos especial homenagem nesse Dia do Imigrante Italiano no Brasil.
A atuação do imigrante italiano em Jacareí foi de essencial importância para o desenvolvimento local e nossos esforços centralizam e apontam a necessidade de mantermos vivas as Memórias e vivências produtivas e culturais de uma etnia presente em nosso meio social, para o fortalecimento de valores ligados ao aperfeiçoamento da relações sociais e humanas, à  pesquisa, ao conhecimento, à ânsia do saber e a difusão de ações que incentivem a busca da solidariedade entre os povos, a fraternidade no reconhecimento dos direitos civis e a igualdade na divisão e equalização da produção do saber, da ciência e do conhecimento.
Agradecemos à todos os descendentes de italianos de Jacarehy que têm procurado o Circolo Italiano para conseguir encaminhar o processo de reconhecimento da cidadania italiana e ao mesmo tempo contribuem com as narrativas históricas memoriais que trazem em suas mentes, criando uma infinidade de novas peças e informações sobre as famílias e suas ações que resultam na junção e elaboração do imenso mosaico que é a História dos Imigrantes Italianos de Jacarehy.
Nesse Dia do Imigrante, nós ítalo-brasileiros  jacareienses  saudamos a população de Jacarehy e convidamos à todos para participarem conosco de nossa alegria em estarmos construindo a Memória do Imigrante Italiano em Jacarehy, bem como enriquecendo e as atividades culturais locais, assim como fizeram todos os nossos antepassados que aqui chegaram cheios de novidades de um mundo construído à partir de saberes e sabores, mentes e braços, almas e corações e de conhecimentos calcados na igualdade de Direitos Civis, na Paz e igualdade entre os Homens!
Se você quer deixar o registro sobre a sua família e a imigração na História de Jacareí, escreva para o circololeonardodavinci@gmail.com e nós entraremos em contato